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	<title>CASOS, CONTOS, E ID&#201;IAS</title>
	<subtitle type="html">Olhar o mundo &#233;, necessariamente, uma obra que s&#243; os sem venda podem executar.</subtitle>
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	<tagline>Olhar o mundo &#233;, necessariamente, uma obra que s&#243; os sem venda podem executar.</tagline>  
	   
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		    <title type="text/plain" mode="xml">MANDARAM MATAR (PEL)O AMOR</title>
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		    <updated>18.11.08 09:11:29</updated>
		    <published>17.11.08 18:18:59</published> 
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Amar mata. Amar suicida. Amar sequestra. O mundo nos manda amar, e o que fazemos com o amor? Odiamos o ser amado. Isso mesmo. Amamos por anos, meses, semanas, dias. Por fim, se &#233; que existe um fim, mata-se o amor e o ser amado.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Note a vida ao seu redor. Mataram o amor. Colocaram romance. Colocaram aventura. Colocaram um desespero pela paix&#227;o. Quando o amor &#233; a pura e simples forma de olhar nos olhos do outro e entender que as batidas do cora&#231;&#227;o falam.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Mandaram amar o amor. Bobagem, besteira. Amar &#233; al&#233;m de se matar ou matar quando dizem haver um fim. Amar &#233; al&#233;m de apenas amar. Amar &#233; entender o que &#233; o amor. Se perguntarem para mim, n&#227;o saberei a resposta. Mas amar &#233; algo que se aprende, n&#227;o se ensina.</content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">O REAL SONHO DA REALIDADE</title>
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		    <updated>30.10.08 17:15:12</updated>
		    <published>30.10.08 17:13:39</published> 
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Uma bolha sobe no copo, esvai-se pelo ar. O telefone toca. Uma rouca voz diz oi, desconhe&#231;o a rouquid&#227;o. Pergunta se sei um n&#250;mero, pergunto quem ronca. Entre os roncos, roubo um gole da &#225;gua. Pe&#231;o desculpas, n&#227;o sei o n&#250;mero. Desligo. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ligo a televis&#227;o, o r&#225;dio e a internet. Procuro algumas informa&#231;&#245;es sobre g&#225;s, mas precisamente gases. Ali&#225;s, libero-os de mim. Na televis&#227;o uma reportagem sobre a reserva tupiniquim, no r&#225;dio um coment&#225;rio sobre gastos e na internet, nada. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O telefone toca novamente, o g&#225;s salta, outro sai, a rouquid&#227;o fala, a televis&#227;o fala, o r&#225;dio comenta, eu me desespero. Desligo tudo, desligo-me. Saio do mundo. Enfim, desperto. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">FICOU COMO L&#193;</title>
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		    <updated>21.10.08 11:44:24</updated>
		    <published>21.10.08 11:44:24</published> 
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Oito mil pessoas extasiadas, hesitando entender. Oito mil caladas, como se um tiro na boca as tivesse calado. Oito mil pessoas, dezesseis mil olhos a derramar l&#225;grimas, rezam e aplaudem. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; As oito mil choram como se tivessem ficado presas por 100 longas e seguidas horas com uma arma na cabe&#231;a. As oito mil pessoas se seq&#252;estraram. Outras tantas mais se seq&#252;estraram em frente &#224; televis&#227;o, &#224; manchete, ao auto-falante do r&#225;dio. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ningu&#233;m se mexia, assim como l&#225;. Ningu&#233;m vivia, assim como l&#225;. Arma, gatilho. Grito. Choro, tiro. Explos&#227;o. Todos morreram, todos contam que morreram. Ficaram todos a chorar. A manchete ficou no lixo, o &#225;udio se esqueceu em algum lugar, as imagens foram para o arquivo. Morreu mais uma hist&#243;ria. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">PENSAMENTOS DE MINHA CARTOLA</title>
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		    <updated>12.10.08 20:27:54</updated>
		    <published>12.10.08 20:27:54</published> 
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Foge-me a inspira&#231;&#227;o, o rio est&#225; seco, o sol n&#227;o vem n&#227;o. Vivo esperando o novo dia. Quero assistir o sol nascer. Uma esperan&#231;a vaga. O sol colorindo &#233; t&#227;o lindo e, l&#225; no morro, que beleza! Depois que eu me encontrar, pois meus caminhos est&#227;o sem vida, com certeza devo chorar. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Preste aten&#231;&#227;o, o mundo &#233; um moinho. Porque tudo no mundo acontece. Eu, por exemplo, vi a mocidade perdida. Devemos pensar em depois, devemos trocar id&#233;ias, afinal em pouco tempo n&#227;o ser&#225;s mais o que &#233;s. Se algu&#233;m, por mim, perguntar, diga que eu s&#243; vou voltar quando estas cordas de a&#231;o e este min&#250;sculo bra&#231;o, com raiva, para os c&#233;us se levantar. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Deixe-me ir, preciso andar para ver os meus olhos tristonhos. Preciso correr, olhar o c&#233;u. Chorar, disfar&#231;ar e chorar. Para ent&#227;o voltar ao lar para viver em paz e, enfim, ver o verde com c&#233;u azul a esperan&#231;a. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">CAIU, DESPENCOU, EST&#193; NO CH&#195;O</title>
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		    <updated>04.10.08 22:02:46</updated>
		    <published>30.09.08 10:03:41</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">&#160;
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O garoto gritava: &#8220;caiu, despencou, est&#225; no ch&#227;o&#8221;, quando algu&#233;m olhava, um poss&#237;vel cliente, ele dizia: &#8220;o pre&#231;o&#8221;. O garoto, esperto, n&#227;o deixava o cliente fugir. Chegava perto, preparava os olhos para pedir perd&#227;o pela sua ignor&#226;ncia e sussurrava estar sem dinheiro para ajudar o irm&#227;o mais novo que sofria. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Do outro lado da cal&#231;ada, despencavam corpos. Um gritava, assustado e insistentemente, o n&#250;mero nove. Outro, na cal&#231;ada entre os corpos, andava apressadamente de um lado para outro, com um livro na m&#227;o, a profetizar que o fim dos tempos estava perto, que o congresso divino n&#227;o aprovaria toda aquela desgra&#231;a e a &#250;nica coisa que cairia do c&#233;u seriam as l&#225;grimas dos senhores. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O garoto, espantado, correu aos bra&#231;os de seus pais. Tristes de ver o filho tremendo, os pais o acalmaram explicando que n&#227;o importava o que acontecesse, eles seriam sempre pobres. O filho, revoltado, foi assaltar os antigos, pr&#243;speros, clientes. Deles conseguiu tirar a dignidade e a esperan&#231;a. </content>
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