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O garoto gritava: “caiu, despencou, está no chão”, quando alguém olhava, um possível cliente, ele dizia: “o preço”. O garoto, esperto, não deixava o cliente fugir. Chegava perto, preparava os olhos para pedir perdão pela sua ignorância e sussurrava estar sem dinheiro para ajudar o irmão mais novo que sofria.
Do outro lado da calçada, despencavam corpos. Um gritava, assustado e insistentemente, o número nove. Outro, na calçada entre os corpos, andava apressadamente de um lado para outro, com um livro na mão, a profetizar que o fim dos tempos estava perto, que o congresso divino não aprovaria toda aquela desgraça e a única coisa que cairia do céu seriam as lágrimas dos senhores.
O garoto, espantado, correu aos braços de seus pais. Tristes de ver o filho tremendo, os pais o acalmaram explicando que não importava o que acontecesse, eles seriam sempre pobres. O filho, revoltado, foi assaltar os antigos, prósperos, clientes. Deles conseguiu tirar a dignidade e a esperança.

criado por Lucas
09:03:41