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Amar mata. Amar suicida. Amar sequestra. O mundo nos manda amar, e o que fazemos com o amor? Odiamos o ser amado. Isso mesmo. Amamos por anos, meses, semanas, dias. Por fim, se é que existe um fim, mata-se o amor e o ser amado.
Note a vida ao seu redor. Mataram o amor. Colocaram romance. Colocaram aventura. Colocaram um desespero pela paixão. Quando o amor é a pura e simples forma de olhar nos olhos do outro e entender que as batidas do coração falam.
Mandaram amar o amor. Bobagem, besteira. Amar é além de se matar ou matar quando dizem haver um fim. Amar é além de apenas amar. Amar é entender o que é o amor. Se perguntarem para mim, não saberei a resposta. Mas amar é algo que se aprende, não se ensina.

criado por Lucas
18:18:59
Uma bolha sobe no copo, esvai-se pelo ar. O telefone toca. Uma rouca voz diz oi, desconheço a rouquidão. Pergunta se sei um número, pergunto quem ronca. Entre os roncos, roubo um gole da água. Peço desculpas, não sei o número. Desligo.
Ligo a televisão, o rádio e a internet. Procuro algumas informações sobre gás, mas precisamente gases. Aliás, libero-os de mim. Na televisão uma reportagem sobre a reserva tupiniquim, no rádio um comentário sobre gastos e na internet, nada.
O telefone toca novamente, o gás salta, outro sai, a rouquidão fala, a televisão fala, o rádio comenta, eu me desespero. Desligo tudo, desligo-me. Saio do mundo. Enfim, desperto.

criado por Lucas
17:13:39
Oito mil pessoas extasiadas, hesitando entender. Oito mil caladas, como se um tiro na boca as tivesse calado. Oito mil pessoas, dezesseis mil olhos a derramar lágrimas, rezam e aplaudem.
As oito mil choram como se tivessem ficado presas por 100 longas e seguidas horas com uma arma na cabeça. As oito mil pessoas se seqüestraram. Outras tantas mais se seqüestraram em frente à televisão, à manchete, ao auto-falante do rádio.
Ninguém se mexia, assim como lá. Ninguém vivia, assim como lá. Arma, gatilho. Grito. Choro, tiro. Explosão. Todos morreram, todos contam que morreram. Ficaram todos a chorar. A manchete ficou no lixo, o áudio se esqueceu em algum lugar, as imagens foram para o arquivo. Morreu mais uma história.

criado por Lucas
11:44:24
Foge-me a inspiração, o rio está seco, o sol não vem não. Vivo esperando o novo dia. Quero assistir o sol nascer. Uma esperança vaga. O sol colorindo é tão lindo e, lá no morro, que beleza! Depois que eu me encontrar, pois meus caminhos estão sem vida, com certeza devo chorar.
Preste atenção, o mundo é um moinho. Porque tudo no mundo acontece. Eu, por exemplo, vi a mocidade perdida. Devemos pensar em depois, devemos trocar idéias, afinal em pouco tempo não serás mais o que és. Se alguém, por mim, perguntar, diga que eu só vou voltar quando estas cordas de aço e este minúsculo braço, com raiva, para os céus se levantar.
Deixe-me ir, preciso andar para ver os meus olhos tristonhos. Preciso correr, olhar o céu. Chorar, disfarçar e chorar. Para então voltar ao lar para viver em paz e, enfim, ver o verde com céu azul a esperança.

criado por Lucas
20:27:54
O garoto gritava: “caiu, despencou, está no chão”, quando alguém olhava, um possível cliente, ele dizia: “o preço”. O garoto, esperto, não deixava o cliente fugir. Chegava perto, preparava os olhos para pedir perdão pela sua ignorância e sussurrava estar sem dinheiro para ajudar o irmão mais novo que sofria.
Do outro lado da calçada, despencavam corpos. Um gritava, assustado e insistentemente, o número nove. Outro, na calçada entre os corpos, andava apressadamente de um lado para outro, com um livro na mão, a profetizar que o fim dos tempos estava perto, que o congresso divino não aprovaria toda aquela desgraça e a única coisa que cairia do céu seriam as lágrimas dos senhores.
O garoto, espantado, correu aos braços de seus pais. Tristes de ver o filho tremendo, os pais o acalmaram explicando que não importava o que acontecesse, eles seriam sempre pobres. O filho, revoltado, foi assaltar os antigos, prósperos, clientes. Deles conseguiu tirar a dignidade e a esperança.

criado por Lucas
10:03:41